Bolovo X Rider

Nós somos do tempo em que estádio não era arena e a torcida não era plateia. Nossa concentração era no boteco. De chinelo, sem camiseta, com o isopor recheado e o tonel enferrujado cheio de carne miando. Lugar marcado não era questão de grana, mas de história e serviços prestados. A gente assistia o jogo quase todo de pé. Numa mão o radinho de pilha e, na outra, a cerveja. Na hora de sentar na arquibancada para descascar o amendoim, a almofadinha surrada e abençoada do vô era sagrada. Que Deus a tenha. Nossa cobertura retrátil? Um boné comemorativo de títulos de alguma década passada de preferência, uma na qual nem éramos nascidos, mas que sempre provocava o choro quando lembrávamos. Antes de o juizão apitar, rolava um minuto de silêncio em desculpa antecipada à mãe dele. Foi mal, professor. Mesmo quando a culpa não é sua, a culpa é sua. Quando a bola rolava, a cantoria começava. E aí, meus amigos, ninguém segurava. Era aquela multidão abraçada, embalada pela charanga e pelos carrinhos e gritos de ordem do beque central. Os jogadores comemoravam mais seus gols na frente da torcida adversária do que da gente. Atitude moralizante.
Nossos ídolos não tinham logos, muito menos assessores. Usavam só uma camiseta por partida. A chuteira? Só preta. Levavam o futebol tão a sério que não fugiam das entrevistas, muito menos dos xingamentos e tretas com os torcedores. O papo era reto e a gol. Na saída, ainda dava tempo de tomar mais uma. O gandula já podia desligar os refletores. Íamos embora com uma certeza: de que no próximo domingo teria mais.

“Dê férias para o futebol.”

Fotos

Tauna Sofia
Sabi Wabi

Produção

Bolovo & Lis Bedini

Styling

Lis Bedini & Bolovo Productions

Modelos

Giovani Groff
Wilsão
Leandro Ramos
Amaral
Inhegas
Grande Elenco

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